Os pais e professores são grandes responsáveis no desenvolvimento moral, ou seja, no julgamento que a criança tem sobre o que é certo ou errado.

Mas, na prática, o verdadeiro protagonista desse amadurecimento é ela própria, que constrói desde cedo um conjunto de valores pessoais. E, mais importante ainda: é ela quem também toma decisões frente aos dilemas morais que encontra no dia a dia. Nesse processo, o senso de justiça é um dos principais aspectos a serem desenvolvidos.

Nos primeiros anos de vida, os pequenos vivem um período de iniciação às regras e precisam da intervenção constante de um adulto que os oriente sobre o que é aceitável - não morder o irmão e não bater nele, pedir um biscoito ao dono do pacote em vez de tomá-lo etc.

As regras existem para regular a relação entre as pessoas. Todos nós abrimos mão de alguns desejos em vista de viver em sociedade, fato que a criança deve enfrentar desde cedo para que possa compreendê-lo.

Conhecendo regras, os pequenos adquirem um primeiro repertório para atuar em grupo, mas não refletem sobre elas. Eles as cumprem porque respeitam uma autoridade (pais, professores, o porteiro do prédio, o primo mais velho) e não necessariamente porque concordam com elas.

Se, por exemplo, uma criança da Educação Infantil souber que é proibido jogar objetos nos outros ou subir nos postes da quadra da escola, ela provavelmente não fará isso por temer uma reprimenda e não porque pensou sobre esses atos e suas consequências. Trata-se, assim, de uma moral dita heterônoma.

É fundamental, porém, que ela seja orientada a agir de maneira cooperativa em relação ao outro, mesmo quando ainda não consegue se conscientizar da importância disso. A moral autônoma é baseada em relações sociais de cooperação.

O desenvolvimento moral é um sistema dinâmico, um processo não só cognitivo, como afetivo, social e cultural. Por mais críticos e conscientes que jovens e adultos sejam em relação à moralidade, ninguém escapa de oscilar entre a moral heterônoma e autônoma em seus atos.

Como entender a discrepância entre pensar e agir? Não basta saber discernir e compreender as razões implicadas em determinada ética ou moral. Para ter ações morais, é preciso ser movido por uma vontade e um desejo morais que guiem aquela conduta.

Adaptado de: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/uma-moral-para-agir-mundo-juizo-senso-dilemas-justica-regras-afetividade-piaget-gilligan-511707.shtml